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Vida
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| Aracoeli Gonçalves Pinheiro |
Nasceu em Monte Alegre, Pará, em 27 de
fevereiro de 1912. Filho de José Antonio Pinheiro e de Waldomira Cattete
Pinheiro. Casou-se em 1948 com Aracoeli Gonçalves Pinheiro, com quem viveu até
o final de sua vida. Teve quatro filhos: Moema, Edward, Milton e Roberto.
Formação acadêmica
Como estudante da Faculdade de Medicina
do Pará, fundou o Diretório Acadêmico de Medicina, sendo seu primeiro
presidente. Foi também Redator chefe do jornal “O Acadêmico de Medicina”, onde
se posicionou contra os excessos da ditadura Vargas e em solidariedade aos
estudantes mortos durante protestos políticos. Considerado subversivo, foi
perseguido, preso e torturado. Obrigado a deixar a Faculdade de Medicina do
Pará, em 1935, concluiu seu curso na Faculdade de Medicina de Recife. Nessa
ocasião, jurou “continuar lutando pela Democracia, por sua terra e pelo seu
povo”. Tal promessa, feita quando esteve prestes a perder a vida, ainda jovem,
só foi revelada já próximo ao seu derradeiro dia de vida. Essa “bandeira” lhe
acompanhou por toda sua existência e em todos os cargos que ocupou.
Vida profissional
Iniciada em 1937, como médico do
Departamento de Saúde do Pará, exerceu funções nas cidades de Monte Alegre e
Breves. Conhecedor das precárias condições sanitárias do interior do Pará levou
assistência médica e social a lugares que jamais haviam recebido um
profissional de saúde. De 1943 a 1944 foi agraciado com uma bolsa de estudos
pelo governo dos Estados Unidos da América, onde frequentou
curso de administração rural e estágio médico em saúde pública. Regressando ao
Brasil, ao final de 1944, foi incumbido de organizar a Secção de Educação
Sanitária do Serviço Especial de Saúde Pública (SESP). Nesse período trabalhou
junto aos postos de Saúde da Amazônia e criou os “clubes de saúde”,
organizações educacionais com a finalidade de desenvolver programas de educação
sanitária escolar.
Funções políticas
Em
Monte Alegre, tornou-se prefeito de
1939 a 1943 e novamente de 1948 a 1950. Após, exerceu temporariamente
mandato
de Deputado Federal, tendo em 1951 apresentado a emenda que concedeu
autonomia
à cidade de Belém do Pará, excluindo-a da categoria de base militar. Foi
diretor
do Departamento de Saúde do Estado do Pará e, em 1953 promoveu sua
reestruturação, sendo criada a Secretaria de Saúde do Estado, sendo seu
primeiro Secretário. Como Secretário de Saúde, organizou e participou do
Serviço Médico Itinerante, quando populações anteriormente
marginalizadas
passaram a receber assistência médica e odontológica, medicamentos e
noções de
higiene, melhorando condições de vida e produtividade. Foi também
professor do
Instituto de Educação do Pará, nas cadeiras de Higiene e Educação
Sanitária. Em
1954, foi eleito Deputado Estadual e no ano seguinte tornou-se
Presidente da Assembleia Legislativa, o que significou também assumir o
cargo de
Vice-governador. No início de 1956, havendo ficado vago o cargo de
Governador
do Estado, com o término do mandato do governador Zacarias de Assunção
sem que
novas eleições fossem finalizadas, assumiu o Governo do Estado para
presidir o
pleito suplementar. Exerceu o cargo de governador até junho de 1956. Foi
presidente do Diretório Regional do Partido Trabalhista Nacional, no
Pará e em
1958 foi reeleito deputado à Assembleia Legislativa do Pará. Em 1961,
tornou-se
ministro de Estado da Saúde, no governo do presidente Jânio Quadros.
Lançou
então a primeira campanha de vacinação anti-pólio com uso da vacina
Sabin.
Entusiasmado com o sucesso da experiência no Rio de Janeiro, o Dr.
Albert Sabin
veio prestigiar o evento, já que se cogitava o lançamento de uma
campanha de
vacinação a nível nacional. Foi eleito Senador da República no ano de
1962 e
reeleito em 1970, cumprindo o mandato até 31 de janeiro de 1979. No
Senado
Federal, trabalhou intensamente para o progresso da região amazônica.
Em 1968, durante seu primeiro mandato de
senador, abraçou a defesa do projeto da casa própria e contribuiu para a aprovação
dos projetos de leis destinados à implantação dos mecanismos do Sistema
Habitacional Brasileiro. De sua iniciativa surgiram entidades pioneiras na
Região Amazônica e no Brasil: a Vivenda - Associação de Poupança e Empréstimo e
a Socilar - Sociedade de Crédito Imobiliário.
Acreditava em um programa de Reforma
Agrária para o Estado do Pará e, por iniciativa própria, doou terras recebidas
de herança paterna. Sem alarde, efetuou tal doação em 26/01/1981, lavrando-se
uma “Escritura de Doação Pura e Simples” das terras de toda a família Cattete
Pinheiro, para a Prefeitura Municipal da Estância Hidromineral de Monte Alegre,
na ocasião representada pelo Prefeito Municipal, Sr. Antonio Campos Moreira.
Ações empresariais
Ao deixar a vida pública, em 1979, dedicou-se
à Vivenda – Associação de Poupança e Empréstimo que prestou valiosa
contribuição, especialmente à comunidade paraense, promovendo a construção de
novas moradias, o combate ao desemprego e o estímulo à promoção da poupança.
Em 1993, dedicou seus esforços a
constituição dos “Parques de Lazer- Empreendimentos Ltda.”, posteriormente
alterado para Hotel de Lazer Parque dos Igarapés. Era uma nova maneira de
servir ao Pará oferecendo alternativas de lazer e ampliando o mercado de
trabalho com ofertas de emprego, ademais de preservar inestimável patrimônio
ecológico em Belém.
Faleceu em Brasília, em 10/01/1992, ao
lado da esposa, filhos, familiares e amigos.
Durante sua vida Cattete Pinheiro teve
ao seu lado sua esposa e eterna companheira Aracoeli Gonçalves Pinheiro -
pedagoga, autora de três livros, além de vários artigos sobre educação e
nutrição. Como ela mesma dizia “Educação sempre fora seu campo preferido,
particularmente no sentido social”, e foi nessa área de atuação que deixou os
frutos mais vigorosos.



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